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Crônica quiçá pouco pertinente de um carnaval passado no Sítio
É carnaval, no ano de 1995, na
República Federativa do Brasil. Dir-se-ia (hoje é terça-feira
gorda), que passei o carnaval na Marquês de Sapucaí. Quanto a mim, nessa confusão toda,
acabei me apaixonando perdidamente pelo representante do noivo da Emília:
o Senhor Vidro Azul.
LOBATO, Monteiro. O saci. São Paulo: Brasiliense, 1982. Neste livro, Monteiro Lobato pousa o olhar sobre dois joão-de-barro, que eram “tão amigos, que até pra cantar cantavam a 2 mãos”. (...) “certo ano o casal resolveu construir um ninho novo em outro galho da palmeira e durante 15 dias o divertimento dos meninos foi acompanhar de longe a construção daquele trabalho...” E não é que o Pedrinho queria tanto caçar um saci, que acabou conseguindo? Seguindo minuciosamente, é claro, as instruções do Tio Barnabé, que garantia:” – Pois, seu Pedrinho, saci é uma coisa que eu juro que “exéste”. Gente da cidade não acredita, mas “exéste”. E, finalmente, acompanhado pelo seu saci capturado, Pedrinho, transgredindo as ordens de Dona Benta, parte para a mata virgem dos seus sonhos. A descrição do sítio, da floresta, do sacizeiro e “do sacizinho do tamanho de um camundongo, já de pitinho aceso na boca e carapucinha na cabeça” é de uma “galanteza” encantadora. Pedrinho “regalou-se de contemplar o sacizete adormecido e ali ficaria horas se o saci o não puxasse pela manga.” Nós também, Monteiro Lobato, nós também. Já é com saudades antecipadas que somos forçados a sair desta magia, para não ultrapassar o número de caracteres estipulados para cada resenha. LOBATO, Monteiro. O poço do Visconde. São Paulo: Brasiliense, 1982. E porque eternizado, depois de escrever “Reinações de Narizinho”, Monteiro Lobato quis agora ser moderno e escreveu “O poço do Visconde”. Aqui, o Visconde se põe a estudar geologia e segundo a Emília “já entende de terra mais que tatu”. Pedrinho, revoltado porque o petróleo não é encontrado nunca no Brasil, achou ser chegada a hora de abrir um formidável poço no pasto do sítio. Depois ficou pensando no assunto com os olhos nas andorinhas que desenhavam “riscos de velocidade” no céu azul. Neste livro, Monteiro Lobato reflete sobre, não só a questão da ciência e da tecnologia, mas também a questão ética, social e humana da exploração e utilização do valioso minério que existe dentro da terra. É claro que, seguindo todas as instruções do Visconde, o petróleo jorra no Sítio do Pica-pau Amarelo, mas não devemos nos esquecer também, de experimentar o método sugerido pela Emília, que consiste no seguinte: “-O tatu! Amarra-se um tatu pela cauda e pendura-se ele de cabeça para baixo no ponto onde queremos abrir o poço. Na fúria de fugir, o tatu vai furando, furando, até chegar no petróleo... –E aí? – Aí espirra – e a gente fica sabendo que deu no petróleo”. Neste ponto, Emília foi tocada para fora da varanda e as negociações entre Pedrinho e o Visconde puderam prosseguir. LOBATO, Monteiro. Histórias da Tia Nastácia. São Paulo: Brasiliense, 1982. Neste livro, Monteiro Lobato, explica o que é folclore. “- Dona Benta disse que folk quer dizer povo; e lore quer dizer sabedoria, ciência. Folclore são as coisas que o povo sabe por boca, de um contar para o outro, de pais a filhos – os contos, as histórias, as anedotas, as superstições, as bobagens, a sabedoria popular, etc e tal.” E Pedrinho conclui que, como a Nastácia é o povo, caberá a ela a função de narrar as nossas histórias folclóricas. É de suma importância que o índice deste volume seja lido com muita atenção para se ter a idéia precisa da dimensão da pesquisa feita por Lobato antes de escrevê-lo. Nos serões, ouvindo as histórias, o pessoal do sítio faz suas interessantes e engraçadas observações ao final de cada uma delas e é desnecessário privilegiar ou comentar esta ou aquela. Além do mais encantamento é pra gente se inundar nele e não deitando falação sobre ele. LOBATO, Monteiro. Histórias do mundo para as crianças. São Paulo: Brasiliense, 1982. E, foi então, que Monteiro Lobato ou Dona Benta (“em que ama disfarçar-se”) virou professor e começou a contar a história do mundo para crianças. A leitura minuciosa do índice é fundamental para a compreensão da dimensão desta obra, onde ele começa explicando a evolução do homem: “Répteis-Pássaros/Pássaros-Mamíferos/Mamíferos-Macacos/Macacos-Gente como nós.” E concluiu: -“Sabemos o que veio vindo desde o começo do mundo até nós. Mas quem poderá prever o que virá depois de nós? –Eu prevejo! – gritou Emília lá do seu caminho. – Depois dos homens virão as bonecas. Eu já sou uma amostra do que está para vir...” Décadas depois, os robots foram inventados, só pra provar que a Emília mais uma vez tinha razão... LOBATO, Monteiro. Geografia de Dona Benta. São Paulo: Brasiliense, 1982. E, depois, que a emérita dona Benta, explicou a Lei da Gravitação, temos o seguinte comentário: “-Ora, ora! – exclamou Pedrinho. – Tão claro e simples, e eu pensei que fosse um bicho de sete cabeças. Só, só, só isso? – Só, meu filho. Todas as coisas da ciência são simples quando as conhecemos. – Sempre que a senhora explica nós entendemos muito bem; mas quando os outros explicam, ficamos na mesma. – É que só explico o que sei. Muitas criaturas se metem a explicar o que não sabem – por isso ninguém as entende. Como seria possível entendê-las se elas mesmas não estão se entendendo?" Como o público-alvo desta Bibliografia são os professores da rede estadual e municipal e os mediadores de leitura da rede de Bibliotecas Infanto-Juvenis, gostaríamos aqui de fazer um apelo a estes: reflitam, reflitam e reflitam sobre esta verdade acabada, que Dona Benta com tanta sabedoria, acaba de dizer. Um segundo apelo, é claro, é no sentido de incentivar a leitura desta “Geografia” uma vez que as nossas escolas, infelizmente, estão repletas de professores que tentam explicar aquilo que eles mesmos não entenderam ainda. LOBATO, Monteiro. A chave do tamanho.
São Paulo: Brasiliense, 1982. Emília, na tentativa de fechar
a chave da guerra, que já estava durando muito tempo, toma um pitada
do super pó que o Visconde está fabricando, com a intenção
de chegar na Casa das Chaves. Faz tudo direitinho, só que aplicando
o método experimental de ir mexendo nas chaves uma por uma, acaba
mexendo na chave do tamanho. Vê-se reduzida a um centímetro
de altura e logo percebe que “a situação era tão
nova que as suas velhas idéias não serviam mais”.
O leitor acompanhará com interesse todas as adaptações
que Emília e algumas pessoas mais espertas fazem para poder sobreviver
num mundo agora imenso e o triste fim, daquelas mais arraigados aos antigos
hábitos. A filósofa brasileira Marilena Chauí, declarou
em público, certa vez, que este foi o livro que, em sua infância,
influenciou-a ao ponto dela querer ser o que ela é hoje. LITERATURA COMENTADA [Coleção]
Monteiro Lobato. São Paulo: Abril Educação, 1981.
Conteúdo: 1-Biografia. 2-Cronologia biográfica. 3-Obras
do autor. 4-Textos selecionados. 5-Panorama da época. 6-Cronologia
histórico-literária. 7-Características do autor.
8-Verificação dos conteúdos. 9-Exercícios
de fixação. 10- Atividades de criação. 11-
Bibliografia comentada. 12-Índice. Antes de mais nada, é
preciso que se diga que a Coleção “Literatura comentada”,
encontra-se à disposição dos consulentes em todas
as bibliotecas da Rede de Bibliotecas Infanto-Juvenis e Públicas
do Município de São Paulo. Sua leitura é altamente
recomendada para estudantes de colegial e leitores de uma maneira geral.
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