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Olhando esse panos, essas cores, esses brilhos, essas máscaras, essa alegria insistente que pula, saltita, nos pega pela mão e nos cochicha baixinho no ouvido, que todos fazemos parte de uma mesma raça, a humana, eu me lembro que uma vez escrevi uma coisa assim: Qual é a cor do blues? O blues, sem dúvida, é um lamento, uma
exposição das dores com uma força, uma disposição
e uma beleza, que nos levam a perguntar qual é a cor de Deus. Que Brasil é esse? Texto de abertura de exposição de trabalhos de meninos de rua, na Biblioteca Monteiro Lobato em outubro de 1994. Que Brasil é esse que não constrói
casas coloridas, com gerânios nas janelas, para esses meninos de
rua, sem paredes, sem teto, sem abrigo, sem travesseiros e sem ursinhos
de pelúcia? O que esperamos é que cumpra-se a lei, para que possamos voltar para casa, tomar uma sopa quente de ervilhas com bacon, usufruir de lençóis limpos e perfumados e olhar nos olhos de nossos filhos com a certeza de saber que tudo que desejamos a eles, desejamos também aos nossos meninos de rua. Sylvia Manzano |
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