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Estamos entrando na literatura moderna e contemporânea
e fiz algumas anotações que vou tentar seguir. Uma das características da arte moderna
é tirar o homem da automação.No
começo era tudo artesanal, manual, todas as coisas feitas uma a
uma, demorada e pacientemente. Charles Chaplin no filme “Tempos Modernos” mostra isso de forma belíssima e hilariante. Em nome do progruesso surgiu a urgência do fazer, fazer, fazer. A palavra está gasta e já foi muito utilizada, mas o fazer por fazer, levou o homem à alienação, à ausência de si mesmo, à extrema obediência às imposições vindas de fora, vindas da máquina, do progresso, da construção de prédios cada vez mais altos, que destroem coisas belas, como já disse o Caetano Veloso. O que faz, faz, faz, parece simpático à primeira vista. Convence, parece uma coisas competente e segura. As indústrias poluem os rios e mares e as árvores são cortadas desordenadamente, muitas vezes verdes ainda, como me explicou com muita tristeza, o Tadeu, meu marido, que é marceneiro e mantém uma relação de profundo amor com a madeira e os passarinhos. Os minérios são brutalmente extraídos do solo e os alimentos são adubados para ficarem enormes, corados, bonitos e sem o seu sabor original. Me lembra (e aqui abro um parêntesis) a questão dos povos da floresta do Brasil: são discriminados, atacados, perseguidos e exterminados, não porque andam nus e têm comportamento que choca a moral burguesa e conservadora. É apenas porque eles são os verdadeiros donos das terras mais ricas do Brasil. De forma sábia, definem sua relação com a terra, dizendo que não são eles que possuem a terra, mas é a terra que os possui. É com carinho que eles cuidam da terra, para entregá-la viva e sadia para as novas gerações que virão ( Aqui fecho os parêntesis). Repetindo, para fechar o ciclo, a arte modera, a literatura e, sobretudo, a poesia, a menina dos olhos da literatura estão constantemente nos tirando da automação, da melancolia, do tédio e do fazer sem saber para quem, como, quando e porquê.
Outra característica da arte moderna é a aceitação da psicanálise, a ciência fundada por Freud, o desvelador de véus, que percebeu a existência do inconsciente e de seu discípulo Jung, que chegou ao inconswciente coletivo. André Breton, médico ligado a Freud durante a vida inteira, foi a ponte de ligação entre arte e psicanálise e é o chamado pai do surrealismo. O surrealismo pregava que todo mundo tem talento e que para escrever basta ouvir o murmúrio interior e discorrer livremente sobre isso. A literatura volta-se para o lado de dentro do ser humano, surge o chamado fluxo de consciência e James Joyce escreve um livro chamado “Ulisses”, onde a personagem feminina Molly Bloom, por páginas, páginas e mais páginas, fala o tempo todo consigo mesma. Principalmente em relação às artes plásticas, passa a ser comum o comentário : “ah, isso até eu sei fazer.” Ledo engano. Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida,
Para terminar, uma lição de casa, para ser entregue nos dias 23 e 25 respectivamente turma I e turma II: 1) O que é poesia?
Até lá.
E no dia 15 tem eleição. Que Deus ilumine vocês na hora de votar. Que escolham o mais sincero, o mais sensível, o mais competente e o mais inteligente. Enfim, o mais atento para os perigos da ação em reflexão, do automatismo, do autoritarismo e do fechamento para o diálogo, para a comunicação entre as pessoas e para a participação nas decisões da coisa pública.
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