Estamos entrando na literatura moderna e contemporânea e fiz algumas anotações que vou tentar seguir.
Normalmente costumo me perder e se isso acontecer, peço que vocês me ajudem a encontrar o caminho de volta pra casa.

Uma das características da arte moderna é tirar o homem da automação.No começo era tudo artesanal, manual, todas as coisas feitas uma a uma, demorada e pacientemente.
A Revolução Industrial, que começa com a invenção do tear e evolui para máquinas cada vez mais potentes e sofisticadas, surgia como algo que traria ao homem maior tempo livre para o seu aprimoramento espiritual.
Sem dúvida, significou um avanço para a humanidade, mas homem e máquina se confundiram a ponto do homem passar a se comportar como máquina.

Charles Chaplin no filme “Tempos Modernos” mostra isso de forma belíssima e hilariante.

Em nome do progruesso surgiu a urgência do fazer, fazer, fazer. A palavra está gasta e já foi muito utilizada, mas o fazer por fazer, levou o homem à alienação, à ausência de si mesmo, à extrema obediência às imposições vindas de fora, vindas da máquina, do progresso, da construção de prédios cada vez mais altos, que destroem coisas belas, como já disse o Caetano Veloso.

O que faz, faz, faz, parece simpático à primeira vista.

Convence, parece uma coisas competente e segura.
Parar para pensar, refletir, planejar, reformular é coisa de poetas e desocupados, que não tem nada mesmo mais sério para fazer.
O que faz, faz, faz, no entanto, provocou o desequilíbrio ecológico, que já virou frase feita, mas que infelizmente, poderá mesmo levar à destruição do Planeta Terra.

As indústrias poluem os rios e mares e as árvores são cortadas desordenadamente, muitas vezes verdes ainda, como me explicou com muita tristeza, o Tadeu, meu marido, que é marceneiro e mantém uma relação de profundo amor com a madeira e os passarinhos.

Os minérios são brutalmente extraídos do solo e os alimentos são adubados para ficarem enormes, corados, bonitos e sem o seu sabor original.

Me lembra (e aqui abro um parêntesis) a questão dos povos da floresta do Brasil: são discriminados, atacados, perseguidos e exterminados, não porque andam nus e têm comportamento que choca a moral burguesa e conservadora. É apenas porque eles são os verdadeiros donos das terras mais ricas do Brasil.

De forma sábia, definem sua relação com a terra, dizendo que não são eles que possuem a terra, mas é a terra que os possui. É com carinho que eles cuidam da terra, para entregá-la viva e sadia para as novas gerações que virão ( Aqui fecho os parêntesis).

Repetindo, para fechar o ciclo, a arte modera, a literatura e, sobretudo, a poesia, a menina dos olhos da literatura estão constantemente nos tirando da automação, da melancolia, do tédio e do fazer sem saber para quem, como, quando e porquê.

Outra característica da arte moderna é a aceitação da psicanálise, a ciência fundada por Freud, o desvelador de véus, que percebeu a existência do inconsciente e de seu discípulo Jung, que chegou ao inconswciente coletivo.

André Breton, médico ligado a Freud durante a vida inteira, foi a ponte de ligação entre arte e psicanálise e é o chamado pai do surrealismo.

O surrealismo pregava que todo mundo tem talento e que para escrever basta ouvir o murmúrio interior e discorrer livremente sobre isso.

A literatura volta-se para o lado de dentro do ser humano, surge o chamado fluxo de consciência e James Joyce escreve um livro chamado “Ulisses”, onde a personagem feminina Molly Bloom, por páginas, páginas e mais páginas, fala o tempo todo consigo mesma.

Principalmente em relação às artes plásticas, passa a ser comum o comentário : “ah, isso até eu sei fazer.”

Ledo engano.
O artista é aquele que consegue, ao ouvir o seu murmúrio interior, subjetivo e pessoal, transforma-lo em objetivo e universal.
Comunicável e compreensível pelos seres humanos de todo o planeta.
Adélia Prado escreveu uma poesia chamada “Explicação de poesia sem ninguém pedir”, que diz o seguinte:

Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,

atravessou minha vida,
virou só sentimento.

Para terminar, uma lição de casa, para ser entregue nos dias 23 e 25 respectivamente turma I e turma II:

1) O que é poesia?
2) O que é o poeta?

Até lá.

E no dia 15 tem eleição.

Que Deus ilumine vocês na hora de votar.

Que escolham o mais sincero, o mais sensível, o mais competente e o mais inteligente.

Enfim, o mais atento para os perigos da ação em reflexão, do automatismo, do autoritarismo e do fechamento para o diálogo, para a comunicação entre as pessoas e para a participação nas decisões da coisa pública.